MDNA: Dominante e épica, Madonna voltou!

De forma sensual e madura, Madonna exorcizou alguns de seus demônios mais antigos nesse disco, basicamente, denominado agressivo e provocante. “MDNA” é uma obra-prima, daquelas que somente as veteranas sabem produzir, com altos e épicos momentos.

MDNA
(NOTA: 92)

“MDNA”, essencialmente, está no mesmo nível de “Confessions On A Dance Floor”, até porque a semelhança é notável, uma vez que ambos se tratam de uma experiência eletropop certeira. O novo disco da diva do POP continua na zona de conforto, que conhecemos desde “Hung Up” e sabemos que é som de qualidade! A faixa “Girls Gone Wild” abre “MDNA” dignamente, com letra pegajosa e despretensiosa, batida sintética comum e uma introdução que até já conhecemos bem. Entretanto, soa como uma farragem irresistível de “Sorry”, “Get Together” e “Celebration”, ou seja, um mix de sucessos.

O que falar de “Gang Bang”? O grande susto do disco inteiro! A segunda faixa do disco tem a pegada maldosa e irônica de Madonna, abusando sempre da violência e insanidade. É uma música viciante sobre um homicídio surgida sobre um arranjo eletrônico e uso de palavrões e samples de carros e disparos de tiros, perfeitamente perigosa e explosiva! Na sequência, “I’m Addicted”, também eletrônica e sensualmente explosiva, soa inteligente, viciante e enérgica, pronta para ser lançada e se tornar hino em casas de shows! As faixas em geral, possuem uma ousadia POP que não encontramos em Britney Spears ou Katy Perry, tornando Madonna a melhor, mais madura e respeitada do ramo.

“Some Girls” recupera o vácuo deixado por “Gimme All Your Luvin’” e “Turn Up The Radio”, preenchendo o disco com diversão e animação. O tema é irreverente e o instrumental demasiado eletrônico como os anteriores, mas o contexto realmente interessa pois não é romântico, nem cômico e muito menos medonho, é algo novo e incrível. O refrão repetitivo e fraco de “Superstar” fez com que a música caísse em desgosto a partir da letra chata e boba, que necessariamente não faz lembrar Madonna em absolutamente nada. Já “I’m A Sinner”, segue a mesma vibe de “Superstar”, soando enjoativa e descartável! Essa, entretanto, é ainda pior, por que possui em seus versos blasfêmias e inúmeras expressões vergonhosas.

Outro momento grandioso (e um dos últimos), é “Masterpiece”. A faixa é uma balada localizada nas melhores intenções lúdicas de Madonna, apresentada por um vocal afinado e batida zouk irresistível. A história da faixa e o decorrer dos fatos são fascinantes, uma vez que “MDNA” é 80% dançante e genérico demais. Fechando a análise do disco “MDNA”, o melhor do primeiro semestre do ano, o segundo disco deluxe está recheado de boas faixas. A começar por “Beautiful Killer” e “I Fucked Up”, ambas com elementos novos e vocais limpos, combinando com estruturas bem produzidas. Além de “Best Friend”, uma mistura R&B com eletrônica inédita no disco! No mais, só mesmo Madonna para fazer melhor que Madonna. Com certeza, a rainha ainda é rainha.

TRACKLIST
01. “Girl Gone Wild” (Produced by Alle Benassi, Benny Benassi, Madonna)
02. “Gang Bang” (Produced by Madonna, Orbit, The Demolition Crew)
03. “I’m Addicted” (Produced by Alle Benassi, Benny Benassi, The Demolition Crew, Madonna)
04. “Turn Up the Radio” (Produced by Madonna, Solveig)
05. “Give Me All Your Luvin'” (featuring Nicki Minaj and M.I.A.) (Produced by Madonna, Solveig)
06. “Some Girls” (Produced by Madonna, Orbit, Åhlund)
07. “Superstar” (Produced by Madonna, Indiigo, Malih)
08. “I Don’t Give A” (featuring Nicki Minaj) (Produced by Madonna, Solveig)
09. “I’m a Sinner” (Produced by Madonna, Orbit)
10. “Love Spent” (Produced by Madonna, Orbit, Free School)
11. “Masterpiece” (Produced by Madonna, Orbit, Harry)
12. “Falling Free” (Produced by Madonna, Orbit)

DELUXE
13. “Beautiful Killer” (Produced by Madonna, Solveig)
14. “I Fucked Up” (Produced by Madonna, Solveig)
15. “B-Day Song” (featuring M.I.A.) (Produced by Madonna, Solveig)
16. “Best Friend” (Produced by Madonna, The Demolition Crew, B. Benassi, A. Benassi)
17. “Give Me All Your Luvin’ (Party Rock Remix)” (featuring LMFAO and Nicki Minaj) (Produced by Madonna, Solveig [remix and additional production by LMFAO])

  1. roberta berry

    Muito otimista e condescendente essa análise.

    Mais realista, técnica e sem pudores ou medo de revoltar os fãs:

    Rainha do Pop mantém lugar no trono intacto, mas apenas por inércia mesmo

    É fácil e cômodo continuar pensando em Madonna como aquela artista que, até uma década atrás, desafiava os limites da música pop. A lista de vitórias é longa, indo da perda da inocência de Like a Virgin (1984), passando pela ousadia religiosa de Like a Prayer (1989), e atingindo seu cume no sexualmente carregado Erotica (1992). E ela não parou: vieram os artísticos Bedtime Stories (1994) e Ray of Light (1998) e as explosões de pop revolucionário Music (2000) e Confessions on a Dance Floor (2005).

    O primeiro sinal verdadeiro de desgaste veio em Hard Candy (2008), quando Madonna pegou a rabeira da música popular contratando Timbaland (e, pior ainda, o sub dele, Danja, na maior parte das canções) e The Neptunes quando ninguém dava a mínima para esses produtores. O som já saiu da fábrica datado. Com o novo MDNA, a coisa melhora – mas não muito. De cara, a cantora separou as músicas mais fortes do álbum para os primeiros singles: “Give Me All Your Luvin’” e “Girl Gone Wild”. A dobradinha, apesar de não ser exatamente original (parte do instrumental da primeira remete a “Beautiful Stranger”, de 1999, e a segunda tem elementos de electro… em 2012?), cumpre o que Madonna propõe no conceito de MDNA: entregar música para dançar. Algumas faixas, entretanto, são específicas demais: será que o ouvinte vai se identificar com o industrial light de “Gang Bang” (e sua letra furtada de “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”, de Nancy Sinatra)? “I’m Addicted”, “Some Gilrs” e “Turn Up the Radio” são dance pop europeu de uma simpatia mediana, mas facilmente esquecíveis – divertidas e longe de serem marcantes. Na tentativa de escrever letras mais pessoais (ou pelo menos mais calorosas), Madonna acaba criando momentos constrangedores como “I Don’t Give A” (claramente sobre a separação do diretor Guy Ritchie) e “Masterpiece” (a deslocada balada vencedora do Globo de Ouro, já lançada na trilha de W.E. , filme dirigido pela artista). Então, talvez o recado esteja mesmo no título: haja MDMA para que se consiga amar este disco. Por outro lado, que outra cantora pop da idade de Madonna conseguiu manter a qualidade ao longo de tantas décadas? A Rainha ainda é digna de respeito – mas não muito mais que isso.

    Gosto de Madonna, mas é verdade. Os fãs tem que deixar de serem tão cegos.

    • Madonna realmente já não é a mesma e sua técnica está um tanto quanto ultrapassada. O disco pode soar um pouco agressivo e desesperado demais, mas devemos levar em consideração que o histórico de Madonna vai disto à pior. Gostei do texto enviado e podemos concluir que é realista e sincero. Obrigado.

      • roberta berry

        Como assim “o histórico de Madonna vai disto à pior”? Antigamente, Madonna era uma cantora interessantisima. Inovadora, polemica e avante `a seu tempo. O que ela fazia e dizia, todos julgavam errado ou equivocado, mas agora todas a copiam, e ela se consolidou no mundo na musica. Achei a frase um tanto quanto equivocada, mas pode ter sido uma interpretacao equivocada.

        • Eu quis dizer com esta frase que seu rendimento tem sido, a cada lançamento, mais fraco. Basicamente, reforçando a ideia que ela já foi mais interessante e cativante.

  2. Eduardo Pepe

    Realmente ela continua muito bem, se assemelha com “confessions…”, mas é mais moderno e mais eletrônico. Há fragilidades como algumas letras bobas (compensados com outras maduras), batidas genéricas (compensadas com outras muito bem feitas) e auto-tune (mas sem excessos). Ela se atualizou e mesmo aos 52 anos tem o mérito de estar no mesmo páreo de Katy Perry, muitas vezes, até melhor. Faltou falar de “I don’t give A” com Nicki Minaj, o último verso de Nicki é bem provocativo, e “Falling Free”, o momento mais maduro. “Super Star” soa boba, mas n se pode ignorar as guitarras poderosas, e “Gimme All Your Love” pode ser banal, mas tem boas parceras e foi um bom single. Apesar de concordar q “Girls Gone Wild” resume melhor o disco.

  3. Como se esqueceu de comentar I Dont Give A? Um dos melhores momentos do álbum? A crítica, no geral, está ótima. Só achei injusto falar mal de I’m A Sinner: é uma mistura de “ray of light” com “beautiful stranger” e “amazing”: uma Madonna revisitada. Incrível. B_Day Song é tão crua, tão anos 60. Impossível não comentar sobre. A nota foi justa, o MDNA é realmente viciante…

  1. Pingback: ÁLBUM: “MDNA” é épico, é glam. É o retorno de Madonna « Fewoffs NOW 2

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